Crédito e juros

Mercado prevê Selic a 13,50% no fim de 2026, e efeito da eleição nos juros fica para 2027

A Selic está em 13,75% ao ano desde 16/09/2026, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central fez o quinto corte seguido, de 0,25 ponto percentual (p.p.). O Boletim Focus divulgado em 05/10 projeta 13,50% no fim de 2026, ou 0,25 p.p. abaixo da taxa atual, e 12% no fim de 2027. Na nossa leitura, sua empresa deve contar com crédito caro até dezembro: um alívio maior depende da política fiscal do governo que sair do segundo turno, em 25/10.

O que o Copom decidiu e o que o mercado espera

A decisão de setembro foi unânime e levou a Selic de 14% para 13,75% ao ano, segundo o Money Times. O ciclo de cortes começou em março de 2026. No comunicado, o Copom não indicou o tamanho das próximas reduções e avaliou que os riscos para a inflação continuam com viés de alta, citando petróleo, inflação de serviços e câmbio depreciado, entre outros fatores.

No Focus de 05/10, a projeção de 12% para o fim de 2027 está estável há 16 semanas. A projeção para o IPCA (índice oficial de inflação) de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, acima do teto da meta, que é de 3% ao ano com tolerância de 1,5 p.p. O Focus de 05/10 ainda não incorpora a reação do mercado ao resultado do primeiro turno.

Por que a eleição entra na conta

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) teve cerca de 47,1% dos votos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cerca de 45,1%. Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, disse à Forbes Brasil que durante a campanha a curva de juros chegou a embutir uma Selic de 14,5% e que os prêmios de risco nas taxas caíram depois da votação. Mesmo assim, ela espera corte de 0,25 p.p. na reunião de novembro e não vê a eleição alterando a próxima decisão do Banco Central. Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, afirma que o mercado precifica queda de 0,30 p.p. na próxima reunião e de 0,25 p.p. na seguinte.

Para os dois economistas, o que pesa nos juros é a política fiscal do próximo governo, e não o nome do eleito. Gasto público maior sustenta a demanda e pressiona preços, o que pode obrigar o Banco Central a manter a Selic alta por mais tempo. Controle de despesas tende a melhorar a trajetória da dívida pública e o câmbio, o que abriria espaço para cortes maiores em 2027. O UBS, em relatório citado pela Forbes Brasil, avalia que um real mais forte permitiria acelerar os cortes além do ritmo atual de 0,25 p.p. por reunião. Cardoso lembra que ainda não se conhecem a equipe econômica nem propostas concretas.

Selic menor não reduz seu empréstimo na mesma proporção

A taxa que sua empresa paga soma à Selic o spread do banco, o risco atribuído à empresa, as garantias, o prazo e a estrutura da operação. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, empresa de crédito estruturado, disse à Forbes Brasil que é arriscado olhar o Focus e concluir que uma Selic menor resolve o problema do crédito. Empresas vistas como mais arriscadas continuarão pagando taxas mais altas, e o custo cai de fato quando o prêmio de risco também recua.

Em dívidas com juros pós-fixados atrelados à Selic, a conta é direta. Supondo que a taxa do contrato acompanhe integralmente a Selic, cada corte de 0,25 p.p. reduz o custo anual em cerca de R$ 2.500 para cada R$ 1 milhão de saldo devedor. Em contratos prefixados já assinados, nada muda sem renegociação.

O que fazer na sua empresa

  1. Use no orçamento até dezembro de 2026 uma Selic próxima de 13,50%, a mediana do Focus de 05/10, e não conte com crédito mais barato antes de 2027.
  2. Simule o caixa de 2027 em dois cenários: Selic de 12%, como projeta o Focus, e Selic parada em 13,50%, para o caso de a política fiscal pressionar a inflação.
  3. Levante quanto da sua dívida é pós-fixada e calcule o efeito de cada corte de 0,25 p.p. sobre os juros anuais.
  4. Antes de renegociar ou tomar crédito novo, organize garantias e demonstrativos atualizados, porque spread, risco e garantias entram na taxa final.
  5. Acompanhe a reunião do Copom de novembro e as primeiras indicações fiscais do governo eleito em 25/10.

Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas, seguindo os padrões editoriais da Verium. Não substitui a análise do seu contador ou CFO.

Quer saber o que isso muda no seu caixa?

O diagnóstico financeiro da Verium traduz a notícia da semana em decisão para a sua empresa.

Agendar diagnóstico