O que mudou no Focus
O Focus reúne as projeções de instituições financeiras consolidadas pelo Banco Central, e a pesquisa desta semana tem data de referência de 09/10/2026. A mediana para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, depois de duas semanas de estabilidade. Entre as 48 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, que reagem mais rápido a novidades, a mediana já estava em 13,25% e continuou nesse nível.
Para os anos seguintes, a mediana ficou em 12,00% para o fim de 2027, pela 17ª semana seguida, e em 10,50% para o fim de 2028. Entre as 47 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2027 caiu de 12,00% para 11,75%, o que indica que parte do mercado começa a prever juros menores no ano que vem.
A taxa atual é resultado do corte de 0,25 p.p. decidido pelo Copom em 16/09/2026, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte seguido, e a Selic acumula queda de 1,25 p.p. desde março.
Por que os próximos cortes não estão garantidos
O mesmo boletim elevou a projeção de inflação. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, a maior alta semanal desde abril, depois que o IPCA de setembro veio em 0,82%, acima dos 0,76% esperados. As expectativas de inflação seguem acima da meta de 3,0% em todos os horizontes da pesquisa.
Em setembro, o Copom não sinalizou os próximos passos, e a ata da reunião pediu "serenidade e cautela" na condução dos juros. Na época, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, disse ao InfoMoney que aquele seria o último corte do ano, e Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, avaliou o espaço para novos cortes como praticamente inexistente. A XP projeta Selic de 13,25% no fim de 2026, com corte em novembro, e afirma que o ritmo de dezembro depende do cenário externo, das próximas leituras do IPCA e das perspectivas de reformas fiscais.
O que isso muda no custo do seu crédito
Empréstimos pós-fixados atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) acompanham a Selic. Se os dois cortes ocorrerem, a taxa básica termina 2026 0,50 p.p. abaixo da atual. Em uma dívida de R$ 100.000,00, isso representa cerca de R$ 500,00 a menos de juros por ano, supondo que o banco repasse o corte e mantenha o spread. O spread, que é a margem cobrada pelo banco acima do CDI, não cai automaticamente com a Selic.
A mesma conta vale para o caixa aplicado em títulos pós-fixados, cujo rendimento cai na mesma proporção. Na nossa avaliação, com o mercado projetando 12,00% para o fim de 2027, travar uma taxa prefixada de prazo longo agora só compensa se a taxa oferecida já embutir essa queda ou se a previsibilidade da parcela for prioridade para o seu caixa.
O que fazer na sua empresa
- Levante quanto da dívida da sua empresa é pós-fixada e calcule o efeito de 0,50 p.p. a menos até dezembro, que é o cenário do Focus.
- Monte também um cenário com a Selic parada em 13,75% até o fim do ano, porque parte dos economistas ouvidos em setembro previa o fim dos cortes em 2026.
- Antes de contratar ou renovar crédito prefixado de prazo longo, compare a taxa oferecida com a trajetória do Focus: 13,25% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027.
- Acompanhe as decisões do Copom de 4/11 e 9/12 e as atas, publicadas na terça-feira seguinte a cada reunião, para atualizar a projeção de juros do seu fluxo de caixa.
Fontes
- Boletim Focus: Mercado espera taxa Selic em 13,25% neste ano | 13/10/2026, XP Investimentos
- Estimativa para a Selic no fim de 2026 passa de 13,50% para 13,25% no Focus do BC, Diário do Grande ABC (Estadão Conteúdo)
- Copom leva Selic a 13,75%: eleições e riscos globais vão travar mais cortes?, InfoMoney
- BC divulga calendário de reuniões do Copom em 2026, Investing.com Brasil (Estadão Conteúdo)
Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas, seguindo os padrões editoriais da Verium. Não substitui a análise do seu contador ou CFO.
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