Economia

Dólar sobe 9% e taxa prefixada vai a 15,78% após eleição; crédito novo tende a encarecer

Na segunda-feira, 26/10/2026, primeiro pregão após a reeleição de Lula, o dólar chegou a subir 9% e a taxa do Tesouro Prefixado 2032 foi a 15,78% ao ano, na maior alta diária da série histórica. Para a sua empresa, a consequência prática é dupla: pagamentos em dólar ficaram mais caros de um dia para o outro, e propostas de crédito com taxa fixa calculadas com os juros da semana anterior podem ser revistas pelo banco antes da assinatura.

O que aconteceu no primeiro pregão após a eleição

O dólar subiu 9% durante o pregão de 26/10/2026, segundo o InfoMoney, e caminhava para a 5ª maior alta diária desde o Plano Real. A maior da série ocorreu em 15/01/1999, quando a moeda americana avançou 11,10% em um dia. Na sexta-feira, 23/10, o dólar havia fechado abaixo de R$ 5, com queda de 1,58% na semana, de acordo com a Agência Brasil. As notícias que usamos descrevem o movimento ao longo do dia e não trazem a cotação de fechamento de 26/10.

Os juros dos títulos públicos subiram junto. A taxa do Tesouro Prefixado 2032 chegou a 15,78% ao ano, alta maior que a de março de 2020, e as taxas do Tesouro IPCA+ tiveram a segunda maior alta da série. O Tesouro Nacional recomprou R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados para conter a disparada, e as taxas seguiram em alta mesmo depois da intervenção.

Despesa em dólar ficou mais cara de um dia para o outro

Para quem importa mercadoria, compra insumo cotado em dólar ou paga licença de software no exterior, a alta chega direto ao caixa. Um exemplo com números redondos: um pagamento de US$ 10.000 que custava R$ 50.000 com o dólar a R$ 5,00 passa a custar R$ 54.500 com alta de 9%, uma diferença de R$ 4.500 na mesma compra. O cálculo usa R$ 5,00 como base ilustrativa, porque a cotação de fechamento de 26/10 não estava nas fontes.

O repasse aos preços é o segundo efeito a acompanhar. A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,32% em outubro e acumulou 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% ao ano tolerado pela meta, segundo o IBGE. Esse dado foi apurado antes da alta do dólar. Na nossa leitura, se o real continuar mais fraco, fornecedores com componente importado tendem a pedir reajuste nas próximas negociações; trata-se de hipótese, sem medição disponível até agora.

Crédito prefixado novo tende a sair mais caro

As taxas do Tesouro Prefixado servem de referência para o custo do dinheiro de prazo longo no país. Quando elas sobem, bancos que emprestam com taxa fixa costumam reprecificar as propostas novas. Essa é a nossa leitura do mecanismo: as fontes não trazem dados de bancos que tenham alterado taxas em 26/10.

Contratos já assinados com taxa fixa não mudam. Contratos pós-fixados, atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), acompanham a Selic, que é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e não se altera por causa de um pregão. O risco imediato está nas propostas recebidas antes de 26/10 e ainda não assinadas, que o banco pode refazer.

Também não se sabe se o movimento vai durar. Um dia de alta, mesmo com intervenção do Tesouro, não define o patamar do dólar e dos juros nas próximas semanas. Decisões de prazo longo comportam alguns pregões de observação; despesas e contratos que vencem agora precisam ser recalculados já.

O que fazer na sua empresa

  1. Levante até 30/10/2026 todos os pagamentos em dólar previstos para os próximos 90 dias e recalcule o valor em reais com a cotação do dia, ajustando o fluxo de caixa.
  2. Antes de assinar crédito com taxa fixa, peça ao banco a confirmação por escrito da taxa e da validade da proposta, e compare com a que você recebeu antes de 26/10.
  3. Revise o custo dos produtos com insumo importado e decida se haverá reajuste de preço, de quanto e a partir de que data.
  4. Se o caixa da empresa está aplicado em títulos prefixados ou IPCA+, lembre que a alta das taxas reduziu o valor de mercado desses títulos; resgatar antes do vencimento agora transforma essa queda em perda.
  5. Adie compromissos de longo prazo em dólar ou com taxa fixa até ter alguns pregões de referência, salvo quando o prazo do negócio não permitir esperar.

Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas, seguindo os padrões editoriais da Verium. Não substitui a análise do seu contador ou CFO.

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